Abra a cabeça!!!!!!!!

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"Se a única ferramenta que temos é um martelo, todo problema será reduzido a prego"

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

9° ANO - SEXUALIDADE

Autor: Sabine Mendes Lima Moura
Disciplina: Língua Portuguesa
Série: 8º série/ 9° ANO

Duração: Quatro aulas de cinqüenta minutos cada. Aula 1/2: Pré-Leitura ( 30 minutos); Leitura ( 40 minutos ); Pós-Leitura ( 30 minutos). Aula 3 / 4 : Pré-Leitura (20 minutos); Leitura ( 50 minutos); Pós-Leitura (30 minutos).
Recursos didáticos: Textos disponíveis nos sites de Internet indicados e/ou cópias de tais sites caso não seja possível o acesso ao laboratório de Informática. Música que acompanha o primeiro texto. O plano aqui apresentado conta, no entanto, com a disponibilidade de tal laboratório e acesso à Internet (possível no contexto apresentado, já que a escola em que me baseio realmente proporciona tal oportunidade a seus alunos).

TEMA – ORIENTAÇÃO SEXUAL
· Educação Sexual: nossos conceitos de sexo, amor e responsabilidade.
Apresentação – Conhecendo a incrível gama de informações relativas a sexo/relações sexuais disponível na mídia, considero de extrema importância que os alunos sejam orientados a terem suas próprias opiniões e considerem a questão dos direitos e deveres de um cidadão também sobre o prisma da escolha sexual (não somente no que tange a opção pela heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade, como também em relação ao tratar cada parceiro como um ser humano a ser respeitado). É importante esclarecer que no contexto escolar apresentado (baseado em um contato real com escola da região tomada como exemplo) os alunos aparentam ter menos conhecimento específico em relação a prevenção de doenças, possibilidades de gravidez e indicações médicas do que uma preocupação em se provarem pessoas interessantes através do contato sexual. Também existe um grupo de alunos cuja religião evangélica desaconselha a menção de temas sexuais antes do casamento ou mesmo depois dele sendo este tratado como tabu.

Objetivos principais - Incentivar a leitura crítica de textos em Língua Portuguesa e a produção baseada em conceitos/recursos lingüísticos encontrados nos mesmos.

Gêneros textuais trabalhados – sites de Internet que apresentam gêneros híbridos de poesia, letra de música, artigos dissertativos e fóruns de opinião.

Detalhamento das características dos textos trabalhados – os textos escolhidos como material didático apresentam as seguintes características:

TEXTO 1 – Amor e Sexo – Rita Lee
(disponível em: http://www.ritalee.com.br/novo_cd_2004/musicas.asp#7)

Gênero textual – Poesia (Balada)/Letra de música

Objetivo – levar os alunos a refletirem sobre as diferenças entre sexo e amor, construindo seus próprios conceitos do que sejam esses dois sentimentos/práticas e incentivar o reconhecimento da poesia que há em cada música.

Contexto de produção – Esta música foi escrita por Rita Lee e Roberto de Carvalho (melodia) e está presente no Cd Biograffiti de 2006.

Modo de organização discursiva predominante – Poesia Livre (com características de balada tradicional na Poesia romântica)

Recursos lingüísticos utilizados – palavras- chave: amor; sexo; escolha.
Uso de metáforas em paralelismo dos conceitos sexo/amor; estrutura simples de repetição de verbo de ligação ( ser) o que nos remete à construção de rótulos para os dois conceitos apresentados.

TEXTO 2 – Fórum Educação Sexual : De quem deve partir a educação sexual dos jovens?
(Disponível em: http://conversamos.wordpress.com/2005/02/04/forum-educacao-sexual/)

Gênero textual – apresentação de um Fórum de Discussão em Educação Sexual por professores e cientistas portugueses.

Objetivo – demonstrar que a questão da educação sexual é uma preocupação tanto de adolescentes e pré-adolescentes quanto de adultos e que eles podem dar sua opinião a respeito do tema; demonstrar como funciona um Fórum de Discussão.

Contexto de produção – O texto foi lançado pelo grupo “Conversamos?” que divulga debates relacionados à educação e ciências em um blog particular e nesse caso, apresenta o Fórum lançado pela equipe Ciênciapt.net que tem como objetivo fomentar a discussão sobre maneiras de implementar a educação sexual.

Modo de organização discursiva predominante – Apelativo, com enfoque na divulgação do Fórum.

Recursos lingüísticos utilizados – presença do discurso direto, uso de perguntas como maneira de envolver os leitores na discussão do Fórum.

ATIVIDADES DIDÁTICAS

TEXTO 1 – Amor e Sexo

Pré – Leitura
· O que é amor para vocês?
· O que é sexo para vocês? (orienta-los a falar as primeiras coisas que vierem à sua cabeça, é importante nesse momento não tolher vocabulário, deixa-los livres para se expressarem como quiserem, somente chamando atenção quanto à expressões de baixo calão que possam surgir e que não são adequadas para sala de aula. Nesse caso, ajuda-los a encontrar outras expressões que as substituam).
· Vocês acham que amor tem a ver com sexo? Sexo tem a ver com amor? Pode haver sexo sem amor ou amor sem sexo? Podem dar exemplos disso?
· Quais são as músicas que falam sobre sexo e amor que vocês gostam? O que essas músicas falam?
Criar uma tabela, no quadro negro, contendo as seguintes frases em colunas: “Amor é”, “Sexo é” e “Frases que eu gosto”. Pedir aos alunos que se dividam em grupos de cinco de acordo com o número de alunos presentes e elejam um representante do grupo. Esse representante deve preencher no quadro, de acordo com as idéias do grupo, as frases da tabela e preencher a coluna “Frases que eu gosto” com frases de música falando de amor e sexo.

Leitura do texto
· Na sala de informática, colocar a música Amor e Sexo de Rita Lee e Roberto de Carvalho e perguntar aos alunos como eles se sentem em relação à música.
· Pedir aos alunos que acessem o link para o texto número um (divididos em duplas nos computadores) e respondam a seguinte pergunta: Concordam ou não concordam com o dito na música? Por quê? (criar uma lista de palavras difíceis que possam surgir como dúvidas ou que eles perguntem, no quadro da sala de informática ou álbum seriado caso não exista quadro). Intercâmbio de respostas.
· Pedir aos alunos que imaginem que todos os verbos “ser” no texto foram substituídos por “parecer”. Que diferença isso faria na interpretação do texto? Chamar atenção para a utilização do verbo “ser” para rotular, conceitualizar amor e sexo. Chamar atenção para a utilização do verbo “parecer” como algo que dá um nível de incerteza maior ao texto. Pedir aos alunos que entre no site www.google.com e pesquisem é e parece, observando o que acabou de ser dito nas frases encontradas com o verbo “ser” e “parecer” ( todas as frases com ser representam conceitos e/ou rótulos ? todas as frases com parecer representam opiniões menos seguras, mais incertas?).
· Pedir aos alunos que pesquisem na www.wikipedia.org o que é uma metáfora. Intercâmbio de definições. Perguntar a eles se existem metáforas na música e quais são. Ajuda-los a perceber a diferença entre metáfora e uma comparação (usando a conjunção “como)”. Exemplos: Fica mais bonito escrever sexo é fantasia ou sexo é como uma fantasia? Existe diferença de significado? Por quê?

Pós-Leitura
Pedir às duplas que elaborem suas próprias versões da música, no mesmo ritmo da música, usando o verbo ser ou parecer e usando metáforas ou comparações. Pedir a uma dupla que tenha mais facilidade com o ambiente virtual para criar um blog e postar as músicas criadas pela turma. Caso o professor perceba que nenhum dos alunos está apto para tal, pode ele mesmo postar as músicas. Os textos podem ser escritos no editor do próprio computador. Caso haja tempo, os alunos podem cantar suas versões da música.


TEXTO 2 – Fórum Educação Sexual: De quem deve partir a educação sexual dos jovens?

Pré – Leitura
· Vocês têm muitas dúvidas em relação a sexo? E tiram essas dúvidas com alguém?
· Quem vocês acham que é mais confiável na hora de tirar dúvidas sobre sexo: sua família, professores, médicos, amigos íntimos, colegas de escola ou da rua? Por quê?
· Vocês lêem alguma revista, página de Internet ou vêem algum programa de Tv sobre esse assunto? Acham que isso ajuda na hora de esclarecer dúvidas? Por quê?
· Vocês acham que as imagens de “primeira vez”, de sexo casual, de conquista e de proteção que aparecem na televisão são confiáveis? Acham que é assim mesmo que a coisa acontece? Por quê?
· Quem vocês acham que é responsável por tirar essas dúvidas? Quem deveria ajuda-los na hora de entender como a vida sexual funciona? Por quê?
· Pedir aos alunos que se organizem em duplas ( uma dupla por computador se possível) e pesquisem no site www.google.com o tema educação sexual e pedir que compartilhem com a turma aquilo que descobriram.
É importante nesse momento aproveitar todas as oportunidades para esclarecer dúvidas que os alunos tenham sobre contraceptivos, parceiros sexuais, sexo pré-marital, tendo como máximo guia a questão da escolha e da proteção. Igualmente importante é que o professor não tenha pudor caso os alunos queiram aproveitar o fato de estarem no laboratório para entrar em sites pornográficos. Caso isso aconteça, ao invés de proibir é aconselhável puxar o debate para o que os leva a ter curiosidade sobre aquilo, como descobriram os sites e porque não é adequado dedicar-se a isso em sala de aula, sem, no entanto, transformar a entrada nos sites em tabu.

Leitura
· Pedir aos alunos que acessem o texto número 2 e explicar sua origem conforme comentado acima. Enfatizar o fato de que é um site português e que aqueles que conseguirem ver que palavras estão escritas de maneira diferente do costume brasileiro devem mostrá-las a turma. Pedir que leiam buscando responder a seguinte pergunta: Quais são as perguntas utilizadas pelos autores do texto? Eles realmente têm dúvida quanto ao que estão perguntando ou estão tentando chamar a atenção do leitor, faze-lo participar da discussão? Eles estão perguntando sempre de maneira direta ?

· Intercâmbio de respostas. Mostrar aos alunos que nem sempre ao usarmos uma série de perguntas em um texto estamos realmente expressando dúvida. Muitas vezes isso é uma forma de envolver o leitor, faze-lo participar. Perguntar aos alunos: qual é o objetivo do texto? (no caso, fazer propaganda de um fórum sobre educação sexual). Observar que nesse texto, os autores se dirigem diretamente ao leitor (é como se estivessem falando com você) o que chamamos de discurso direto. E que às vezes fazem perguntas indiretamente, dar exemplos disso no texto.

· Pedir aos alunos que acessem o Fórum cujo link está indicado no texto. Pedir que cada dupla descreva o que é e qual é o formato de um Fórum, baseando-se no que estão vendo. Intercâmbio. Observar no intercâmbio que os fóruns procuram imitar uma conversa, parecendo um questionário com uma pergunta e várias respostas.

Pós-Leitura
· Pedir aos alunos que escrevam uma opinião para o Fórum sobre quem deveria ser responsável pela educação sexual. Valorizar o fato de que eles vão estar respondendo em um fórum de professores e que isso é importante, pois eles são os maiores interessados no assunto. Pedir para que eles se comuniquem com seus futuros leitores usando o discurso direto como forma de convencer os leitores sobre sua opinião. Nessa hora, alguns exemplos no quadro podem ser úteis.
EXEMPLOS:
Imaginem que vocês querem dizer que o mais importante é que a família dê educação sexual. Podem convencer disso usando a pergunta:
Afinal de contas, não é a família que deve nos passar aquilo que não sabemos?
Ou caso vocês achem que deveria ser escola:
Escola é lugar de aprender coisas sobre a vida, não é verdade?
Pedir outros exemplos a eles, para esclarecer o uso do discurso direto como convencimento, antes de dar tempo para que as duplas escrevam e publiquem seus textos.

Comentários Finais
- O fato de que os textos não abordem diretamente dados científicos ou questões biológicas do aparelho reprodutor ou mesmo a questão do preconceito e da opção sexual tem como objetivo conhecer como a turma reage a tais temas, especialmente em um ambiente em que um determinado grupo não tem permissão da família e/ou não vê como positivo discutir tais temas. Assim, o professor pode, a partir deste trabalho, conhecer melhor seu grupo antes de explorar temas mais específicos.
- É importante que na hora dos intercâmbios na sala de informática todos os monitores sejam desligados e a turma esteja em círculo com a atenção no professor e nos demais colegas.
- É importante que a aula no laboratório seja vista também como uma oportunidade de auxiliar os alunos em temas relacionados à Informática, na medida do possível, já que a verdadeira inclusão digital não se dá através de cursos e sim através da prática em oportunidades significativas de aprendizado tais como as que esse plano de aula deseja proporcionar.

TEXTO 1
AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)
Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval
Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora
TEXTO 2
Fórum: Educação sexual
A Equipa Cienciapt.NET lançou hoje a pergunta:
De quem deve partir a educação sexual dos Jovens?
Não vou discutir a forma da pergunta. É esta… portanto, diria que:
A pergunta, ao dar enfoque ao «quem», pode ser respondida em diferentes perspectivas – até porque a educação sexual tem múltiplas dimensões, da biológica à psicológica, da sociológica à ética.

A família é a primeira e privilegiada fonte de informação e lugar de debate – por isso, o primeiro «quem» é a família, no sentido das pessoas significativas com quem a criança/jovem convivem. Neste primeiro «quem» incluo desde já o próprio – que o educando tem um papel relevante na educação, ainda que inicialmente de forma mais passiva mas progressivamente mais activa, com o amadurecimento pessoal. Tem ainda de ser tido em conta que o papel da família possa estar fragmentado e/ou ausente – na educação sexual, como em qualquer outra dimensão da educação.

O segundo «quem» é a escola, pelo próprio ciclo de desenvolvimento e de socialização. E coloquei Escola, em sentido amplo, sem me deter a considerar este ou aquele nível.

Entre estes dois, com mais influência num ou noutro dependendo dos casos concretos, coloco o «quem» ligado aos profissionais do Centro de Saúde, nomeadamente a enfermeira de saúde familiar ou a enfermeira da saúde escolar.

O quarto «quem» é a sociedade, em sentido do coletivo mais próximo (comunidade), dos meios de informação (que às vezes desinformam) e das tecnologias de comunicação (também na dimensão virtual da Internet).

Parece-me de relevar que o desenvolvimento da sexualidade e a adequação da educação sexual se integram na educação como um todo e no desenvolvimento holístico da pessoa.

De diferentes formas e com pesos diferentes, todos temos um papel…
Quer participar no Fórum?

http://cienciapt.net/forumform.asp?id=51

Acrescentaria que, não obstante existirem alguns recursos (consulta de planeamento familiar, projectos de atendimento a adolescentes, páginas da web, linhas telefônicas etc), não basta existirem se não divulgarmos e encaminharmos.
Ainda (já sei, vai longo…) que não existe idade para a educação sexual.

Corre-se o risco de se pensar que é matéria de adolescentes e jovens - mas não é.

A educação sexual, enquanto dimensão da educação, e referindo-se à sexualidade, dimensão da pessoa, atravessa toda a vida, tanto em sentido pessoal como familiar e colectivo.

Parece-me semelhante à educação para a cidadania.
Esta entrada foi publicada em Fevereiro 4, 2005 às 6:20 pm e está arquivado em bioética.

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